"Voa coração. Ou então arde."
[Eugenio de Andrade]
quarta-feira, 8 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Do destino
"E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?"
[Caio Fernando de Abreu]
[Caio Fernando de Abreu]
Da (bendita) dismenorréia
Como que por um passe de mágica foi se embora a loucura, o desequilíbrio, o desespero, a depressão, a instabilidade, a solidão e tudo de negro que estava reinando por aqui e por cima da minha cabeça nos últimos dias.
Graças à Deus porque eu já não estava me aguentando de tão crisenta!
Me diagnostiquei como uma possível doente psiquiátrica (tá, a verdade é que eu sempre desconfiei disso, só nunca achei um diagnóstico que coubesse) de uma tal Disforia da Fase Lútea, que se resolve instantaneamente às custas de mar vermelho e dismenorréia. Mas se não tratada se repete à cada ciclo menstrual causando mais insanidade por mais alguns dias...
Eu já tinha percebido que a maluquice toda era cíclica etc e tals, mas não o tanto que dar um menstruadinha solucionava a crise repentinamente.
O diagnóstico mesmo é feito pela observação de 12 meses anteriores sintomáticos e mais 3 meses prospectivamente.
Resolvi me auto-tratar inicialmente com vitaminas e ACO, vamo ver no que dá... Mas só ciclo que vem dá pra saber. E se necessário encaro medicação psiquiátrica.
Só de pensar em não ficar doida como fico, faço tudo...
[Nossa, mulher tem cada coisa viu...
Tem hora que eu não sei se fico com inveja dos homens de não terem essas loucuras ou dó de terem que aguentar umas coisas assim vindas de nós...]
Graças à Deus porque eu já não estava me aguentando de tão crisenta!
Me diagnostiquei como uma possível doente psiquiátrica (tá, a verdade é que eu sempre desconfiei disso, só nunca achei um diagnóstico que coubesse) de uma tal Disforia da Fase Lútea, que se resolve instantaneamente às custas de mar vermelho e dismenorréia. Mas se não tratada se repete à cada ciclo menstrual causando mais insanidade por mais alguns dias...
Eu já tinha percebido que a maluquice toda era cíclica etc e tals, mas não o tanto que dar um menstruadinha solucionava a crise repentinamente.
O diagnóstico mesmo é feito pela observação de 12 meses anteriores sintomáticos e mais 3 meses prospectivamente.
Resolvi me auto-tratar inicialmente com vitaminas e ACO, vamo ver no que dá... Mas só ciclo que vem dá pra saber. E se necessário encaro medicação psiquiátrica.
Só de pensar em não ficar doida como fico, faço tudo...
[Nossa, mulher tem cada coisa viu...
Tem hora que eu não sei se fico com inveja dos homens de não terem essas loucuras ou dó de terem que aguentar umas coisas assim vindas de nós...]
sábado, 4 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, não Lóri mas o seu nome secreto que ela por enquanto ainda não podia usufruir, faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos de perplexidade quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os punhos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta, faz de conta que se descontraía o peito e uma luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e de tranquilas mortalidades, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver.
[Clarice Lispector]
[Clarice Lispector]
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Da escrita
Ontem eu estava tão deprimido que consegui escrever apenas meia página aqui. Mas acho que disse tudo que eu sentia, tudo que me fazia triste. Escrever mais não teria sido um consolo, porque sei que o motivo deste diário é unicamente solidão e, quando ela não mais existir, o diário também não mais existirá. Escrever, ontem, teria sido como se a solidão ficasse ainda mais clara. Cada linha que eu vencesse, cada página branca seria essa solidão gritada em todas as palavras escritas, fossem elas quais fossem: "Tu estás só, tu estás só." Hoje não me sinto menos só, apenas menos triste. Por isso tenho vontade de escrever. Escrever muito.
[caio fernando abreu]
[caio fernando abreu]
Do dizer
"Quando se deseja realmente dizer alguma coisa, as palavras são inúteis. Remexo o cérebro e ela vêm, não rara, mas toneladas. Deixam sempre um gosto de poeira na boca — a poeira do que e tentava expressar, e elas dessolveram. Quanto mais palavras ocorrem para vestir uma idéia, mais essa idéia resiste a ser identificada. As sucessivas roupas sufocam a sua nudez. E todas as palavras são uma grande bolha de sabão, às vezes brilhante, mas circundando o vazio."
[caio fernando abreu]
[caio fernando abreu]
terça-feira, 30 de junho de 2009
Da incompreensão
E no final o que fica é a sensação de incompreensão.
Porque quando eu digo A, eu posso simplesmente estar querendo dizer A.
Porque quando eu digo A, eu posso simplesmente estar querendo dizer A.
domingo, 28 de junho de 2009
Da canção
"Qualquer canção de amor
É uma canção de amor
Não faz brotar amor e amantes
Porém, se esta canção
Nos toca o coração
O amor brota melhor e antes
Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração rasgado
Porém ainda é melhor
Sofrer em dó menor
Do que você sofrer calado.
Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen da chama
E essa canção também
Corrói, como convém,
O coração de quem não ama."
[Chico]
É uma canção de amor
Não faz brotar amor e amantes
Porém, se esta canção
Nos toca o coração
O amor brota melhor e antes
Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração rasgado
Porém ainda é melhor
Sofrer em dó menor
Do que você sofrer calado.
Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen da chama
E essa canção também
Corrói, como convém,
O coração de quem não ama."
[Chico]
quinta-feira, 25 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Da transparência
"Aqui me tenho
como não me conheço
nem me quis
sem começo
nem fim
aqui me tenho
sem mim
nada lembro
nem sei
à luz presente
sou apenas um bicho
transparente"
[ferreira gullar, in um instante]
como não me conheço
nem me quis
sem começo
nem fim
aqui me tenho
sem mim
nada lembro
nem sei
à luz presente
sou apenas um bicho
transparente"
[ferreira gullar, in um instante]
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Da ilusão
"E tão lentos somos no avançar que só a impaciência do desejo nos deu a ilusão de que o tempo de uma vida é tempo bastante"
[clarice lispector]
[clarice lispector]
domingo, 14 de junho de 2009
Você sabe que vai ser sempre assim.
Que essa queda não é a última.
Que muitas vezes você vai cair e hesitar no levantar-se, até uma próxima queda. Prefere jogar-se numa atitude que seria teatral, não fosse verdadeira, sentir os espinhos rasgando carne, as pedras entrando no corpo, o rosto espatifado contra o desconhecido. Precisa ir até o fundo.
Que essa queda não é a última.
Que muitas vezes você vai cair e hesitar no levantar-se, até uma próxima queda. Prefere jogar-se numa atitude que seria teatral, não fosse verdadeira, sentir os espinhos rasgando carne, as pedras entrando no corpo, o rosto espatifado contra o desconhecido. Precisa ir até o fundo.
How I made my millions
I was stronger
I was better
Picked you out
Now don't say a word
No don't yell out
Never mind
Let you out
Led you back
Stay on
Sit down
Let it fall
Let it fall
Let it fall
Let it fall
[radiohead]
I was better
Picked you out
Now don't say a word
No don't yell out
Never mind
Let you out
Led you back
Stay on
Sit down
Let it fall
Let it fall
Let it fall
Let it fall
[radiohead]
sábado, 6 de junho de 2009
Palavra de Mulher
"Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar"
[Chico Buarque - Palavra de Mulher]
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar"
[Chico Buarque - Palavra de Mulher]
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Algumas.
"Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer."
[Mário Quintana]
[Mário Quintana]
terça-feira, 2 de junho de 2009
Dos astros
Saí para a sacada, e fiquei ali parado longo tempo, contemplando os astros.
Perguntei-lhes mudamente:
“O que me dizem de tudo isso?”.
E imaginei sua resposta:
“Já vimos tudo isso antes”.
Isaac B. Singer, Amor e Exílio: Memórias (L&PM, pg. 234)
Perguntei-lhes mudamente:
“O que me dizem de tudo isso?”.
E imaginei sua resposta:
“Já vimos tudo isso antes”.
Isaac B. Singer, Amor e Exílio: Memórias (L&PM, pg. 234)
quinta-feira, 28 de maio de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
Do que sentimos
[foto: praia do amor- RN]
"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja."
[Clarice Lispector]
quarta-feira, 13 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Da natureza
- Quero lhe fazer uma pergunta, mas responda com sinceridade. Você ama alguém? Jamais amou?
- Sim, mas…
- Não há mas. Quando se ama não existe mas.
- O mas é que posso amar outra pessoa também.
- Veja só…um menino de yeshivah e fala como um verdadeiro Don Juan. Quantas amantes teve até hoje?
- Só uma, Gina.
- Pelo menos é honesto, ou parece. Mark era mentiroso, um mentiroso horrível, patológico. Todo o tempo me escrevendo aquelas cartas ardentes – que chegavam a chiar entre meus dedos. Se as pessoas podem mentir tanto, a vida não vale nada. Você disse que estava interessado em escrever, e tudo mais. Por que as pessoas mentem tanto? Qual o motivo?
- O motivo é haver leis que são mentiras desde o começo. O seu Mark pode ter amado você e seis outras ao mesmo tempo. Não podia assinar um contrato para amar você a vida toda. Obviamente teve outras o tempo todo. Só me admiro de você não poder entender isso.
- Eu entendo, entendo, sim. Posso entender tudo – até cada ladrão, cada assassino, cada degenerado. Mas só posso amar uma pessoa. Desde o dia em que o encontrei amei só a ele, e todos os meus sonhos foram só com ele.
- Não é culpa dele se tem natureza diferente da sua.
Isaac B. Singer, Amor e Exílio: Memórias
- Sim, mas…
- Não há mas. Quando se ama não existe mas.
- O mas é que posso amar outra pessoa também.
- Veja só…um menino de yeshivah e fala como um verdadeiro Don Juan. Quantas amantes teve até hoje?
- Só uma, Gina.
- Pelo menos é honesto, ou parece. Mark era mentiroso, um mentiroso horrível, patológico. Todo o tempo me escrevendo aquelas cartas ardentes – que chegavam a chiar entre meus dedos. Se as pessoas podem mentir tanto, a vida não vale nada. Você disse que estava interessado em escrever, e tudo mais. Por que as pessoas mentem tanto? Qual o motivo?
- O motivo é haver leis que são mentiras desde o começo. O seu Mark pode ter amado você e seis outras ao mesmo tempo. Não podia assinar um contrato para amar você a vida toda. Obviamente teve outras o tempo todo. Só me admiro de você não poder entender isso.
- Eu entendo, entendo, sim. Posso entender tudo – até cada ladrão, cada assassino, cada degenerado. Mas só posso amar uma pessoa. Desde o dia em que o encontrei amei só a ele, e todos os meus sonhos foram só com ele.
- Não é culpa dele se tem natureza diferente da sua.
Isaac B. Singer, Amor e Exílio: Memórias
domingo, 10 de maio de 2009
Da real
"Se a realidade nos alimenta com lixo, a mente pode nos alimentar com flores."
[Caio Fernando Abreu]
[Caio Fernando Abreu]
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Do amor III
"Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha. Amizade também, todas as formas de amor."
[Caio Fernando Abreu]
[Caio Fernando Abreu]
Da razão
"Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto
[...]
Ah! nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo d’outra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena..."
[Florbela Espanca]
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto
[...]
Ah! nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo d’outra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena..."
[Florbela Espanca]
da fuga
nada como o tempo após o contratempo
pro meu coração
e não vale a pena ficar, apenas ficar,
chorando e resmungando até quando...
pro meu coração
e não vale a pena ficar, apenas ficar,
chorando e resmungando até quando...
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