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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Da vida-drama - excertos de pensamentos

Espelho espelho meu, existe alguém no mundo mais dramática do que eu?


Culpa dessa mistura do sangue italiano com o não menos fácil dos "Mello" levando a essa intensidade no bom e no ruim, no real e no imaginário, na felicidade e na dor.
E aí pra não me internarem com a certeza de que sou maluca, eu tento não expressar isso a todo instante, mas não é sempre que dá pra fingir ser normal.


Ah nem, viu...
Juro que eu queria ser mais água com açúcar, se pudesse.


Se bem que pensando melhor acho que eu não queria não.
A vida deve ser tão mais sem graça...


Ah, aliás tem uma palavra que talvez seja mais adequeada pra essas definições: lunática.
Aquela que é do mundo da lua.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Da minha mais pura verdade

"Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo.
Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a imagem que, entre mil, convém ao meu desejo.

Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo Esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente? É ele inteiro que desejo (uma silhueta, uma forma, uma aparência)? Ou é apenas uma parte desse corpo? E nesse caso, o que, nesse corpo amado, tem tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente? O corte de uma unha, um dente um pouquinho quebrado obliquamente, uma mecha, uma maneira de fumar afastando os dedos para falar? De todos esses relevos do corpo tenho vontade de dizer que são adoráveis. Adorável quer dizer: este é meu desejo, tanto que único: “É isso! É exatamente isso (que amo)!”

[Roland Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso, pp.31-2]


.

E continuo me perguntando...
"Por que desejo Esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente?..."
Que raiva de mim... Muita.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Versos íntimos

"vês! ninguém assistiu ao formidável
enterro de tua última quimera.
somente a ingratidão, esta pantera
foi tua companheira inseparável!

acostuma-te à lama que te espera!
o homem, que, nesta terra miserável,
mora, entre feras, sente inevitável
necessidade de também ser fera.

toma um fósforo. acende teu cigarro!
o beijo, amigo, é a véspera do escarro,
a mão que afaga é a mesma que apedreja.

se a alguém causa inda pena a tua chaga,
apedreja essa mão vil que te afaga,
escarra nessa boca que te beija."

Augusto dos Anjos